Felicidade Clandestina
Hoje eu realizei um sonho de décadas! Eu sonhei com esse dia durante muito tempo, imaginando, pensando, suspirando. E finalmente, hoje, eu comprei Crônicas de Nárnia numa super super super oferta no Submarino. Tudo graças a Gabi.
Genza, fiquei tão feliz, mas tão feliz que até lembrei desse texto da Clarice Lispector:
Felicidade Clandestina
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinhaum busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim um tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa nodia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo.Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetircom meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhosespantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar.Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempolevei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o ,abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
E claro, essa menina não tem absolutamente nada a ver com a Gabi, que é um sweet de pessoa
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Correntes = Geração espontânea?
Já parou pra pensar em como surgem as correntes de internet (ou a versão vintage em cartas)?
Pois bem, eu sempre pensei que as correntes surgissem por geração espontânea, sabe?
Em algum lugar do tempo, e do espaço, há um vazio, até que: Big Bang! Surge uma corrente, que nada mais é do que uma versão reduzida de um buraco negro.
A verdade é que nunca me passou pela cabeça que algum ser tivesse a falta de capacidade suficiente pra gastar 2 horas fazendo uma apresentação no Power Point dizendo que nós devemos passar aquela coisa horrenda para fazer mais 10 pessoas sofrerem. E aí das duas uma, ou nós seremos amaldiçoados até a morte (óh vida cruel); ou, caso você se encarregue dessa tarefa herculana, você vai encontar um amor em 5 dias, ou ficar milionário. Nessas circunstâncias o que vier é lucro.
Mas no fim mesmo, acho que eu nunca imaginei que alguém começava essas correntes, porque eu nunca consegui conceber tamanha maldade em um ser humano.
Lástima, nanana…
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O enem é noso!
Twitter do Rafinha Bastos veio com essa agora:
Descoberto o ladrão do Enem

E uma guria, muito bem intencionada por sinal, comentou:
“É montagem! Se fosse verdade estaria escrito: “O Enem é noso’! #fato haushuahsuhaus”
Eu achei melhor corrigir a guria que tinha escrito: “hé montagem”. Porque, tics, tics, que vergonha, ãh!
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No outro, nós mesmos
É engraçado. A gente lê Ovídio, Shakespeare, gente que viveu há muito tempo, em um mundo muito diferente do nosso. E a gente se identifica. E ri. E se emociona.
Isso pra ser ver, que nesses milênios de civilização (ai, se o Délcio ler isso ele caça o meu diploma) a humanidade não mudou tanto assim. Temos a mesma natureza, as mesmas aspirações, os mesmos defeitos. Enfim, somos os mesmo homens de outrora.
Também é engraçado como esses autores consagrados conseguem ler a nossa alma, os nossos pensamentos. E exprimir aquilo que até a pouco, para nós, era absolutamente inexprimível. Eles falam aquilo que gostaríamos de falar. Eles percebem as nossas maquinações mais nossas. E expõe. E a gente se delícia, ao ver, no outro, nós mesmos.
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Agora, é a minha vez!
Tá, tô meio frustrada. Porque ninguém lê os meus blogs. E no final eu escrevo para que alguém leia e me dê um feed-back, do tipo: Adoreeei!. Só desse tipo, fique bem claro!
Mas aí veio a luz. E eu me tornei Iluminada! De uma luz roxa, fazer o quê?
Esse é o meu blog e antes de escrever para alguém ler, eu escrevo para mim. Para eu ler, pra me entender. Para me divertir.E eu vou escrever loucamente, mesmo que ninguém leia!
Porque ter um blog é uma das experiências mais reveladores da vida de alguém. Como já se disse: num blog você está de bíquini. Você fala o que quiser, quanto quiser, e sobre o que quiser. E eu adoro falar!
Portanto, ter um blog pra escrever, mesmo que ninguém leia, é uma realização!
Tá, eu sei que alguns amigos meus vêm aqui sometimes. E não me abandonem por favor eu amo vocês!
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Enquanto isso…
1. Desconheço o termo em questão.
2. Ignoro o paradeiro dessa pessoa em particular.
3. Não tenho uma resposta apropriada para isso.
4. Poderia instruir no aspecto que acaba de mencionar?
5. Meus conhecimentos não abrangem essa determinada área.
6. Ignoro o fim ou meta de tal processo.
7. Não tive a vontade de conhecer esse lugar.
8. Este aspecto é totalmente alheio a minha pessoa.
9. Isso é algo que eu gostaria de saber tanto como você.
10. Falar a verdade fico até envergonhado de falar algo na frente de quem entende tanto do assunto.
Tirado daqui ó
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Sobre nada e nada
Como eu já informei meus followers no twitter, meu cérebro, finalmente, voltou a funcionar satisfatóriamente.
Foram semanas, que ele parecia estar hibernando, só conseguia controlar as funções fisiológicas mais básicas: respirar, piscar, dormir e comer. E comer muuuuito. Dormim idem. O que acabou me rendendo umas semanas: “Ahhhh, que gorda”. Tipo a música do Mika: “Walks in to the room, feels like a big ballon”. Enfim, resolvi ficar de regime. Já imaginando, é claro, que o meu regime iria durar uns dois dias. E olha, até que durou uma semana (tá durando ainda)! Mas a questão é que agora que o meu cérebro voltou a funcionar, eu pretendo, voltar a escrever. E escrever muuuuuito. E escrever sobre qualquer coisa.
Só pra me sentir viva. E inteligente.
Então, estou preparando posts
Beijos galere!
Nossa, se eu não soubesse que entram os meus amigos aqui (e só) eu morreria de vergonha.
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Blood

Essa é a mesa de centro do Dexter:

Dá uma olhada no disaini, que coisa fofa! Fofa?! Hahahaha
Tá, vir aqui postar a imagem de uma mesa é o uó. Mas é que muitolegal(Y)
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Strangers
Por um momento eu fiquei indecisa entre postar esse vídeo aqui no Fala Garota, ou no Olhando para o alto. Mas como o tema do vídeo é a tolerância e empatia, achei interessante postar em ambos.
Preconceito, racismo, é burrice. Falomesmo!
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[Suspiro feliz]
Hoje o meu dia está azul. Celeste. Com purpurina dourada aqui e acolá.
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