Minha avó Irene

Pra quem ainda não sabe, minha vó faleceu na madrugada desse domingo.

Aí que ontem, eu, que não gosto muito de celebrações fúnebres, decidi que a melhor maneira de expor os meus sentimentos (entenderam o trocadilho? Hã? Hã?) era fazer uma homenagem para aquela que foi a maior perua (com o perdão da palavra) que Xanxerê já conheceu.

Só a minha vó pra pintar os cabelos de “vermelho sedução” aos sessenta e poucos anos de idade, combinando, claro, com uma blusa de oncinha! Vovó sempre foi muito secsy! É também na casa dela que você pode encontrar um estoque infinito de maquiagem, bolsas, roupas, bijuterias, sapatos, cremes, perfumes… Foi lá que desabrochou dentro de mim a criança peruinha que eu fui. E haja sombra azul!

Além do quê, nunca teve papas na língua. De nenhum tipo. Falava de tudo e de todos. Até imagino o que ela falava de mim… Não que eu me importe com isso ( nem com o fato dela sempre trocar meu nome…). Gosto dela desse jeito mesmo: autêntica, bocuda e perua!

Ela sempre foi ou a protagonista ou a narradora das histórias familiares mais cabulosas que eu já ouvi.

Teve aquela vez em dezembro que ela me ofereceu sorvete. Oh, yummy :9 Só depois ela me contou que trouxe o sorvete da praia, no ano anterior. ERA DEZEMBRO MEO! Eu poderia ter morrido intoxicada!

Tem a história da vez que ela socou o vô no estômago, (porque o meu avô, olha, era safadeeenho). Depois saiu correndo se trancar no banheiro; haha, deu uma de covardona. E o vô querendo arrombar a porta. Até que ela, bem bicuda, sai do banheiro e no alto dos seus 1,50 cm olha pra cima, beeeem pra cima (meu avô media cerca de 1,85 cm), e diz: “Quero ver você me bater!”. No quê meu avô abaixa a cabeça e sai à francesa.

Foi ela que me corrompeu ainda criança, me fazendo ir comprar cigarro escondida pra ela. E tentou a todo custo me engordar com cueca-virada, pudim, pizza, pipoca e pé-de-moleque.

Minhas memórias de infância estão lá. As tardes de verão, brincando de elefante colorido, pega e futebol (eu jogava com a mão, mas tudo bem, eu era novinha) com os meus primos mais velhos e prevalecidos que sempre me deixavam correndo que nem uma boba. Aí todo mundo cresceu e eu ainda me pego sentindo falta de ser sempre a primeira a ser pega.

Lembro dela e do vô se chingando em italiano. Eu não entendia, mas não precisava… E deles me pegando domingo de manhã pra ir na pracinha. E de escutar Shakira na casa dela. E Tiririca. E Estoy enamorado… E dançar É o Tchan… Shame on me!

É por essas e outras que ela é meu referencial de mulher poderosa. Se meta com ela, rá! E, se hoje eu sei uma porção de podres familiares, devo tudo a ela. Eu nunca saberia da história daquela que tinha dois namorados, e que foi pega no flagra! Um cara armado, e os lovers se cagando! Meu pai herói, haha, teve que apartar! Oh God, por pouco eu não nasci…

E aí, depois de todas as coisas que eu aprendi com a Dona Palmira (6), ela se foi toda pomposa num caixão rosa e branco. Um brega-chique que sempre combinou com ela. No final, até me deu uma picadela. Mas só eu vi ;)

IRENE NO CÉU

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor

Imagino Irene chegando no céu:
_Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
Entra Irene. Você não precisa pedir licença.

    • Nine
    • 6 de Setembro, 2010

    qse chorei cara…

    • Camila
    • 7 de Setembro, 2010

    até eu tenho boas lembranças dela cara. Querida..

    • Daf
    • 21 de Novembro, 2010

    Cara, eu nem conhecia ela e chorei. Chorei e ri. (:
    Escreves muito bem, acompanharei seu blog. ^^

    Beijos.

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