El Gabito

Tem gente que se acha bom entendedor de tudo quanto é autor por aí. Eu conheço bem Agatha Christie (not kidding), porque eu já li uns 40 livros dela. Sem exagero, óbvio, porque dá vergonha de admitir. Também li uns 10 livros do Paulo Coelho na minha pré-adolescência (menina prodígio).  Ainda bem que só me sobrou nos miolos a Agatha, que não é tão ruim assim né. De vez em quando eu ainda leio. Falo dela com propriedade hehe.

Mas, pra me auto pagar pau, as minhas leituras aumentaram de nível e eu já posso fingir que conheço (tchantchanrãrã) o meu querido, amigo do peito: Gabito, vulgo Gabriel Garcia Márques (vulgo mesmo, que é pra quem não tem aquela intimidade, sabe?). Li quatro livros do referido, tô me achando.

Li que ele uma vez disse, que todo autor escreve um só livro e que o dele é o da solidão. Bom começo pra uma tímida inveterada.

Well, vamos à minha readlist:

Cem anos de solidão

Shakespeare que me perdoe, mas isso sim é tragédia; do começo ao fim, pontuando toda e qualquer página. E são muitas páginas. Também pudera né, narrar os cem anos de solidão e desgraça da família Buendía tinha que render um livrão né, daqueles que pesam no braço. Tem trocentos mil personagens, alguns com o mesmo nome, dá pra se perder um pouco. Mas mesmo com esses poréns, que na verdade não são poréns nada, é bem interessante. Ele tem umas coisas inusitadas e umas frases marcantes (bem a cara do Marqués), tipo a dona que só defecava num penico de ouro, além de incesto e coisas do gênero. Mas o que eu gosto mesmo é ir conhecendo e se afeiçoando aos personagens: Josés Acádios, Aurelianos e Amarantas. No fim eu adorei, como adoro os outros. Quando o autor é bom dá nisso, mesmo com a história mais triste que eu já li (tirando Os sofrimentos do jovem Werther, mas eu achei o Werther um chorão) você fica apaixonada. Recomendo, por questões de lazer e cultura geral.

Relato de um naufrágo

Minha mais recente leitura. É o relato real de um marinheiro colombiano que ficou 10 dias à deriva, transcrito pelo autor. Momentos de grande solidão, em situações extremas me fascinam bastante. Sempre apreciei a solidão, o silêncio; eles me falam de profundidade, reflexão, auto-conhecimento. Mas eu não passei dez dias sozinha no meio do nada. Por mais que alguém se sinta sozinho, acaba convivendo com pessoas e coisas mesmo que muito superficialmente. Tem o caixa do supermercado, o cara da farmácia, o computador, a tv. Acho que eu piraria nas primeiras três horas, e me jogaria no mar no 1º dia. Meu terceiro favorito.

Memórias de minhas putas tristes

Eu realmente acho que esse cara é pervertido. Dos quatro livros que eu vou falar aqui o único que não tem putaria (com o perdão da palavra) é o terceiro, que é o relato de outra pessoa; preocupante. Então, aqui é um senhorzinho de 90 anos muito simpático que nunca transou com ninguém sem pagar. Ele ganha de presente de aniversário de uma cafetã (!) a virgindade de uma menina de 13 anos. Meio assustador, mas é livro né, dá um desconto. O que acontece é que ele encontra a moiçola dormindo, se apaixona e não desvirgina a pobre. O resto eu não posso contar, porque é lindo de morrer e vocês têm que ler. Ele é pequenininho, e no finalzinho eu tava morrendo de pena que acabasse. Meu quase favorito.

O amor nos tempos do cólera

Esse é o bambambam. O livro dos livros. Lindo, amado, chego a suspirar. Um triângulo amoroso composto por uns personagens de nomes bonitos: Fermina, Floriano e Juvenal. Gosto tanto desse livro, que se daria o nome dela pra Alice, se não fosse Fermina, claro. Primeiro vou dizer, não assisti o filme só vi uns pedaços no youtube, achei meio decepcionante. O livro retrata claramente o Floriano como um homem iludido, que escreve poesias medíocres, e cultiva a paixão da juventude até a velhice. A Fermina que teve com ele um namorico na adolescência, cresceu e sentia certa pena misturada com desprezo, e é casada com o seu Juvenal Urbino que era bonitão, charmosão. Como alguém disse, não sobre esse: um livro sobre personagens medíocres. A verdade é que no fundo todos somos um pouco medíocres e temos um livro de poesia fracassado no armário; e no final é bonito, delicado. Acho que essa é a lindeza desse livro: esses personagens, um cenário de guerras civis e cólera, uma história melancólica, mas tão cativante. É grandão, mas vale o investimento de tempo.

    • Gabi Vacaro
    • 14 de Julho, 2012

    Oi Mari, nunca entro aqui, mas cada vez que venho é um deleite, você escreve bem e sobre coisas interessantes, inclusive ja elegi minha próxima leitura :) beijos minha flor, espero lembrar de passar por aqui mais vezes.

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